O Paladino

                    Vinte de setembro. Um esquadrão de cavalaria avança pelas ruas empedradas de Piratini. A orgulhosa bandeira da República Rio-Grandense ondula aos tapas do vento sul. Os invencíveis cavalarianos gaúchos passam, eretos em seus cavalos, pelos prédios históricos. Lá na frente, o grande comandante - general Bento Gonçalves da Silva. Ele não olha para os lados nem baixa a cabeça. Apenas olha para frente, sempre para frente. O povo aplaude quando ele passa com os raios do sol de ouro brilhando na sua espada.

                    Assim foi realmente no passado, quando Piratini era a capital da invicta República Rio-Grandense. E essa cena, que parece um quadro histórico, se repete agora: os cavalarianos são os tradicionalistas da velha cidade heróica, e o general Bento Gonçalves da Silva é encarnado pelo gaúcho, cantor e compositor nascido na cidade, Cristiano Quevedo.

                    O Cristiano é um artista de sucesso e renome e tem pelo seu pago, que é também a sua querência, uma dedicação total, absoluta. Monta desde guri na propriedade de seus pais, Fermiano de Farias Quevedo e Eloa de Pedra Quevedo. Aos 14 anos, já era integrante de invernada artística no tradicionalismo de Piratini e aos 17 era radialista profissional. Cedo tomou gosto pelos rodeios crioulos e pelas cavalgadas a lugares históricos. Nos rodeios, se dividia entre os tiros de laço e as tertúlias, fazendo muito sucesso nestas últimas e nem tanto nos primeiros. Nessa época consolidadora, admirava muito e se inspirava declaradamente em homens como Elton Saldanha, Noel Guarani, Luiz Marenco, Jaime Caetano Braum e neste alegretense filho da dona Mocita. Desde 1994, participa dos festivais nativistas como intérprete ou como compositor. É um vencedor. Só em 2007, ganhou cinco festivais e, ao todo, tem mais de 40 premiações importantes. Gravou seis CDs e me provocou um dia para fazermos em 12 canções a história da Revolução Farroupilha. Eu fiz os versos e publiquei no meu mais recente livro de poesias, e o Cristiano musicou todos eles, com talento e sensibilidade. Uma das nossas canções, Currupaco, Papagaia, está fazendo grande sucesso - vai sair disco daí...

                    O Cristiano Quevedo montou num bode e viu a luz justa e perfeita, seguindo os passos de seu ídolo, o general Bento Gonçalves da Silva. Vive viajando pelo Rio Grande do Sul, por vários Estados do Brasil e agora vai para a Europa, sempre divulgando a arte gauchesca. O Cristiano é parte importante de uma verdadeira fraternidade de grandes artistas: ele, Shana Muller, o Ângelo Franco, o Erlon Pérecles, todos oriundos do interior do Rio Grande que estão se dando muito bem em Porto Alegre. O espetáculo do grupo - Buenas e M´espalho - é de altíssima qualidade e incendeia o público a cada apresentação. O Cristiano tem um sonho: que sua filha Maria Rosa Porto Quevedo cresça sempre sabendo o quanto seu pai ama, luta e busca valorizar através da arte a sua terra e a sua gente e que um dia, lado a lado, pai e filha possam dividir o palco.

                    Este é o gaúcho Cristiano Pedra Quevedo, meu amigo, meu irmão, meu parceiro.

 

                                                                                                                                                Nico Fagundes

 

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